MENSAGEM DE ANO NOVO


No início deste novo ano, inspirado na Mensagem de Bento XVI, por ocasião do Dia Mundial da Paz de 2008, gostaria de dirigir a todos os diocesanos uma mensagem de paz.
            As várias faces da paz já nos são conhecidas. O que nos falta é agir, para que o ideal da convivência pacífica, com suas exigências concretas, penetre na consciência dos indivíduos e dos povos. O esforço de educar para a paz é uma exigência da nossa índole cristã. De fato, para o cristão, proclamar a paz é anunciar Cristo que é “a nossa paz” (Ef 2,14), anunciar o “Evangelho da paz” (Ef 6,15), chamar todos à felicidade de serem “construtores da paz” (Mt 5,9).
            Contudo, para alcançar a paz é preciso educar para a paz. Hoje isto é ainda mais urgente, porque os homens, à vista das tragédias que continuam a afligir a humanidade, sentem-se tentados a ceder ao fatalismo, como se a paz fosse um ideal inacessível.
            A Igreja, ao contrário, ensina que a paz é possível e é um dever de todas as pessoas. A paz só será construída sobre as quatro colunas indicadas pelo beato João XXIII na sua Encíclica Pacem in terris, ou seja, sobre a verdade, a justiça, o amor e a liberdade.
            “Felizes os construtores da paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9). Esse é um anseio e uma esperança que nos foram dados pelo Deus da paz. Por isso, no anúncio de salvação que a Igreja proclama pelo mundo, há elementos doutrinais de importância fundamental para a elaboração dos princípios necessários para uma pacífica convivência entre as nações.
            A história ensina que a construção da paz não pode prescindir do respeito por uma ordem ética e jurídica. O direito internacional deve evitar que prevaleça a lei do mais forte. O seu fim essencial é substituir a força material das armas pela força moral do direito, prevendo apropriadas sanções para os transgressores e adequadas reparações para as vítimas. Isto deve valer também para os governantes que violam impunemente a dignidade e os direitos do homem, escudando-se sob o pretexto inaceitável de que se trata de questões internas ao seu Estado.
            É preciso recordar que, para a instauração da verdadeira paz no mundo, a justiça deve ser completada pela caridade. O direito é certamente a primeira estrada a seguir para se chegar à paz; e os povos devem ser educados para o respeito do mesmo. Mas, não será possível chegar ao fim do caminho, se a justiça não for integrada pelo amor. Justiça e amor não são forças opostas, mas são duas dimensões da existência humana que devem completar-se reciprocamente. É a experiência histórica que o confirma, mostrando como freqüentemente a justiça não consegue libertar-se do rancor, do ódio e até da crueldade. A justiça, sozinha, não basta; e pode mesmo chegar a negar-se a si própria, se não se abrir àquela força mais profunda que é o amor.

Dom Félix
Bispo Diocesano